Karl-Anthony Towns aproveitou o Dia Mundial da Saúde Mental, neste sábado (10), para falar abertamente sobre a perda da mãe, Jacqueline, morta em 2020 por complicações da covid-19. Em um painel realizado em Nova York, o pivô do Knicks admitiu que, por um tempo, o basquete perdeu sentido para ele - e que o luto segue presente mesmo depois da conquista do título da NBA.
"O basquete parecia oco", diz pivô do Knicks
Segundo relato da Associated Press, publicado pela ESPN, Towns contou que atravessou um período em que o amor pelo jogo simplesmente sumiu. "Eu não sabia se ainda queria fazer isso", afirmou. O painel, batizado com um título direto - luto, perda e alto rendimento -, aconteceu no Spring Studios, em Manhattan, a menos de duas semanas da estreia da nova temporada da NBA.
O jogador relacionou a virada a um processo de acompanhamento com Arnie Kander, preparador físico conhecido pelo trabalho de força e bem-estar com atletas de elite. Para Towns, o simples fato de ser ouvido fez diferença concreta na rotina. "Só ser ouvido, poder conversar com alguém em quem você confia, conseguir descarregar toda aquela dor e deixar que essa pessoa entenda o que você sente e ajude a colocar isso em palavras do jeito certo, isso deixa a vida muito mais leve", disse. "E eu me sentia mais leve a cada vez que a gente continuava conversando."
Um festival dedicado à saúde mental no esporte
O evento integra a programação do Project Healthy Minds, ONG que mantém uma plataforma gratuita para conectar pessoas a terapia, psiquiatria e grupos de apoio. O festival anual em Nova York reúne atividades como ioga e arteterapia ao longo do dia, além de painéis com atletas e especialistas - um formato que tem ganhado espaço à medida que o esporte de alto rendimento discute cada vez mais abertamente questões emocionais que antes ficavam restritas aos bastidores.
Towns também voltou ao primeiro jogo da final da NBA contra o San Antonio Spurs, em junho. Relembrou ter sentido "uma calma muito grande" ao entrar em quadra, associada às lembranças dos jogos de categorias de base, quando o público era pequeno e ele conseguia encontrar a mãe na arquibancada de qualquer ponto da quadra. "Eu sentia que éramos meio que só eu, ela e o basquete", disse à plateia. "Eu conseguia ser como um artista ali. Eu tinha meu pincel e uma tela, que era a quadra. E eu conseguia pintar um quadro bonito para ela sobre o amor que eu tenho pelo jogo." O Knicks fechou aquela série por 4 a 1 e conquistou o primeiro título em 53 anos de história.
Um tema que ainda engatinha nos vestiários
Rich Kleiman, novo integrante do conselho da ONG, disse à AP que esse tipo de relato cresce entre jogadores desde que DeMar DeRozan e Kevin Love falaram publicamente sobre depressão e ansiedade, há oito anos. Ainda assim, segundo ele, o assunto não circula livremente dentro do vestiário, e poucos atletas se sentem confortáveis para expor a própria experiência. "Acho que diz muito que o Karl Towns se sinta à vontade o bastante, logo antes de a temporada começar, para falar tão abertamente sobre isso", avaliou. Phil Schermer, fundador e CEO do Project Healthy Minds, reforçou a mesma ideia: para ele, atletas de alto nível podem mostrar que "é sinal de força falar das suas emoções".
O painel ocorreu um dia depois de o Knicks informar que só retoma negociações de extensões contratuais mais adiante na temporada - decisão que, por ora, congela qualquer conversa formal sobre o futuro de Towns no clube. Em quadra, a próxima data marcada é 20 de outubro, quando o Knicks ergue a faixa de campeão no Madison Square Garden e recebe o Philadelphia 76ers. Seis anos depois da morte de Jacqueline, Towns chega a essa cerimônia dizendo, sem rodeios, que o luto continua.
Se você está passando por um momento difícil, não precisa atravessar isso sozinho. O CVV (Centro de Valorização da Vida) atende de graça, 24 horas por dia, pelo telefone 188, e também por chat e e-mail no site cvv.org.br. Em caso de emergência, ligue para o SAMU, no 192.