Marcos Harter

Harter é alvo do MPE por vaga de emprego que excluía petistas

Harter é alvo do MPE por vaga de emprego que excluía petistas

O cirurgião plástico Marcos Harter, que ficou nacionalmente conhecido após sua passagem pelo Big Brother Brasil, passou a responder a uma ação do Ministério Público Eleitoral depois de divulgar uma vaga de emprego em sua clínica, em Sorriso (MT), com a exigência de que o candidato "não pode ser petista". O caso, revelado pelo Folhamax na sexta-feira (9), é tratado pela Justiça Eleitoral como possível propaganda irregular e assédio eleitoral.

Anúncio de emprego motiva ação do Ministério Público

A vaga, destinada a um instrumentador cirúrgico, trazia a restrição político-partidária de forma explícita e gerou uma denúncia anônima. A procuradora da República Ludmila Bortoleto Monteiro conduz a apuração, apontando suspeita de propaganda eleitoral negativa e de uso da posição de empregador para condicionar o acesso a uma vaga de trabalho a convicções políticas - prática que a legislação eleitoral busca coibir sob o conceito de assédio eleitoral.

O Ministério Público pediu a retirada imediata do anúncio das redes sociais do médico, sob multa de R$ 5 mil em caso de descumprimento. O juiz auxiliar da propaganda eleitoral, Marcelo Alexandre Oliveira da Silva Morgado, determinou que Harter se manifeste em até dois dias, conforme despacho publicado na quinta-feira (8). O episódio ocorre em meio ao clima já aquecido pela disputa presidencial de 2026, o que reforça a atenção da Justiça Eleitoral a casos envolvendo critérios político-partidários em relações de trabalho.

Passagem pelo BBB marcada por acusações de agressão

Harter ganhou notoriedade em 2017, na 17ª edição do Big Brother Brasil, quando se envolveu em um relacionamento com Emilly Araújo, vencedora daquela edição. Ele foi expulso do programa em 10 de abril daquele ano após acusações de agressão física contra a então namorada. O caso resultou em inquérito pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Jacarepaguá, e a Polícia Civil chegou a indiciá-lo por lesão corporal.

Em abril de 2017, o Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou o cirurgião por dois episódios de agressão, inicialmente enquadrados na Lei Maria da Penha, com base em hematomas registrados em exame de corpo de delito. A defesa de Harter contestou a condução das investigações. Posteriormente, a Justiça afastou o enquadramento como violência doméstica, remetendo o caso ao Juizado Especial Criminal - decisão da qual o Ministério Público recorreu. Não há registro de condenação criminal definitiva nesse processo.

Condenação cível por ofensas e histórico de disputas judiciais

Mais recentemente, em dezembro de 2025, Harter foi condenado a pagar R$ 25 mil de indenização por danos morais a Emily da Silva Costa, após publicar mensagens ofensivas no Instagram e em conversas privadas, incluindo referências ao filho da mulher, ainda criança. A decisão, divulgada em janeiro de 2026, considerou que as manifestações do médico extrapolaram os limites da liberdade de expressão. A ação havia sido movida em dezembro de 2024, com pedido inicial de R$ 80 mil e retratação pública.

Depois de deixar o BBB, Harter tentou carreira política, concorrendo a cargos eletivos sem sucesso, e chegou a processar a TV Globo por sua expulsão do programa. A nova ação do Ministério Público Eleitoral soma-se a esse histórico, mas trata de uma questão distinta: não envolve acusação de violência, e sim a legalidade de impor restrições político-partidárias a candidatos a emprego - tema que a Justiça Eleitoral agora terá de avaliar à luz dos argumentos que Harter apresentar.